A legislação americana prevê regras específicas para menores de idade durante processos de naturalização e cidadania derivada
WASHINGTON, DC (MAIO 11, 2026) – Uma dúvida comum entre famílias brasileiras nos Estados Unidos envolve a participação de crianças no processo de cidadania americana. Afinal, menores de idade precisam fazer entrevista, prova de inglês ou teste sobre história e cultura americana?
A resposta depende diretamente da idade da criança e da forma como ela está obtendo a cidadania.
A principal base legal sobre o tema está na seção INA 320 do Immigration and Nationality Act, fortalecida pelo Child Citizenship Act of 2000. A legislação estabelece que menores de 18 anos podem adquirir automaticamente a cidadania americana quando determinados requisitos são preenchidos, principalmente ligados à cidadania dos pais, residência legal permanente e convivência física nos Estados Unidos.
O advogado Vinicius Bicalho, fundador e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., explica que muitos brasileiros confundem cidadania derivada com naturalização tradicional.
“A lei americana diferencia claramente crianças que recebem cidadania automaticamente por meio dos pais daqueles adultos que precisam passar pelo processo completo de naturalização com exames e entrevistas”, afirma Bicalho.
Nos pedidos tradicionais de naturalização, adultos precisam demonstrar conhecimento básico da língua inglesa, além de responder perguntas sobre história, sistema político e funcionamento do governo americano. O conhecido civics test aborda temas como Constituição, independência americana, direitos civis e estrutura do Congresso.
Já crianças pequenas normalmente não são submetidas aos exames formais.
Segundo Bicalho, a legislação americana reconhece limitações naturais ligadas à idade e à capacidade de compreensão do menor.
“O governo americano entende que uma criança pequena não possui maturidade equivalente à de um adulto para um exame cívico formal. Por isso, a lei prevê mecanismos diferentes para proteção e integração familiar”, destaca Bicalho.
Em alguns casos, adolescentes próximos da maioridade podem participar de interações com oficiais de imigração durante entrevistas familiares, especialmente para confirmação de vínculos, residência ou informações escolares.
Outro ponto que gera ansiedade entre casais brasileiros é a possibilidade de um dos cônjuges ser reprovado durante o processo de naturalização.
Nessas situações, a reprovação de um dos parceiros não cancela automaticamente o pedido do outro. Cada processo é analisado individualmente pela USCIS. O cônjuge aprovado pode seguir normalmente para a etapa final da cidadania americana.
A legislação americana ainda prevê nova oportunidade para candidatos reprovados no teste de inglês ou no civics test. Normalmente, o solicitante recebe uma segunda entrevista em prazo aproximado de até 60 a 90 dias para repetir apenas a parte em que apresentou dificuldade.
“Uma reprovação inicial não significa deportação, perda imediata do green card ou encerramento definitivo do processo. Existe um direito administrativo de nova tentativa previsto dentro do sistema migratório americano”, explica Bicalho.
Especialistas afirmam que a maior recomendação para famílias imigrantes é evitar informações distorcidas disseminadas nas redes sociais, especialmente conteúdos alarmistas sobre supostos exames rígidos para crianças pequenas.
Para milhares de brasileiros vivendo legalmente nos Estados Unidos, compreender corretamente as regras da cidadania americana reduz ansiedade e ajuda no planejamento familiar de longo prazo.
