Declaração de integrante do Conselho de Inteligência Presidencial dos Estados Unidos reacende debate sobre uma possível flexibilização das viagens entre Brasil e EUA.
WASHINGTON, DC (JUNHO 01, 2026) – Uma declaração feita por Felix Lasarte, integrante do Conselho de Inteligência Presidencial dos Estados Unidos, durante o Fórum VEJA Brazil Insights, em Nova York, reacendeu o debate sobre a possibilidade de eliminação da exigência de vistos para brasileiros que desejam visitar os Estados Unidos.
Durante o evento, Lasarte afirmou que o futuro estratégico americano depende de uma América do Sul forte e integrada, defendendo publicamente o fim da obrigatoriedade de vistos entre Brasil e Estados Unidos. A manifestação chamou atenção por partir de uma figura ligada ao núcleo de aconselhamento da administração americana.
Apesar da repercussão, a declaração não representa qualquer mudança oficial na política migratória dos Estados Unidos.
Segundo advogado Vinicius Bicalho, fundador e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., a fala demonstra uma visão estratégica presente em determinados setores de Washington, mas não altera as regras atualmente aplicadas aos viajantes brasileiros.
“É importante diferenciar uma manifestação política de uma decisão governamental. A entrada do Brasil em um programa de isenção de vistos dependeria de requisitos técnicos rigorosos, cooperação em segurança e critérios definidos pela legislação americana”, afirma Vinicius Bicalho.
Atualmente, o Brasil não faz parte do Visa Waiver Program, mecanismo que permite a entrada de cidadãos de determinados países sem a necessidade de visto para viagens de turismo ou negócios de curta duração.
Bicalho destaca que uma eventual inclusão brasileira exigiria negociações diplomáticas, avaliações de segurança e o cumprimento de parâmetros estabelecidos pelas autoridades americanas.
“A declaração possui relevância política porque parte de alguém com acesso ao círculo de aconselhamento presidencial. No entanto, não existe qualquer indicação concreta de implementação no curto prazo. O tema merece atenção, mas sem gerar expectativas imediatas”, conclui Bicalho.
A discussão ocorre em um momento de fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos, ampliando um debate que, há anos, desperta interesse tanto do setor empresarial quanto da comunidade brasileira residente no exterior.
