Sistema cresce rapidamente e casos fraudulentos em comunidades brasileiras elevam o risco para imigrantes
WASHINGTON, DC (ABRIL 22, 2026) – O sistema de asilo nos Estados Unidos vive um momento de forte pressão. Ao mesmo tempo em que continua sendo um instrumento legítimo de proteção internacional, cresce o número de casos envolvendo fraudes, distorções e promessas irreais vendidas a imigrantes, especialmente em comunidades brasileiras.
Os números ajudam a dimensionar o cenário. O volume de pedidos de asilo aumentou mais de 1.700% em determinados períodos da última década, pressionando a estrutura do sistema migratório e tornando os processos mais lentos e rigorosos. Em paralelo, investigações federais já identificaram esquemas organizados, incluindo um caso na Flórida em que mais de 215 pedidos fraudulentos de asilo foram protocolados por um falso profissional.
Embora especialistas ressaltem que a maioria dos pedidos é legítima, os casos fraudulentos passaram a ter impacto desproporcional, comprometendo a credibilidade do sistema e aumentando o rigor das análises por parte do governo.
Esse ambiente ficou ainda mais evidente com um episódio recente. Ontem, dia 21 de abril, uma empresa que se apresentava como escritório de advocacia foi fechada pelas autoridades em Orlando. Segundo as informações iniciais, tratava-se de uma estrutura de fachada que atuava diretamente na condução de processos migratórios, com foco em pedidos de asilo. Os responsáveis foram detidos sob acusação de má conduta e possível fraude na elaboração e encaminhamento desses pleitos.
O caso reforça um padrão que já vinha sendo observado em regiões com alta concentração de brasileiros. Na região metropolitana de Boston, em Massachusetts, e na Flórida Central, com destaque para Orlando, há um aumento significativo da atuação de intermediários informais, consultores sem licença e até falsos advogados.
Em muitos desses casos, o modelo é semelhante. Promessas de aprovação rápida, narrativas prontas para justificar perseguição política ou social e orientação padronizada para entrevistas com autoridades migratórias. O problema é que, além de ilegais, essas práticas expõem o imigrante a riscos severos.
Um pedido fraudulento pode levar à inelegibilidade permanente para qualquer benefício migratório nos Estados Unidos. Além disso, há perdas financeiras relevantes, já que muitos brasileiros pagam valores elevados por serviços que não possuem respaldo legal.
O advogado licenciado nos Estados Unidos, Brasil e Portugal e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinicius Bicalho, afirma que o crescimento desse tipo de prática criou uma espécie de indústria paralela dentro do sistema migratório.
Segundo ele, existem três critérios fundamentais que devem ser observados por qualquer imigrante antes de contratar um serviço jurídico.
O primeiro é a verificação de licença profissional ativa. Nos Estados Unidos, apenas advogados devidamente licenciados ou representantes autorizados podem atuar em processos de imigração.
O segundo é o histórico e a credibilidade. Escritórios sérios possuem trajetória verificável, presença consistente e reputação construída ao longo do tempo.
O terceiro ponto é a acessibilidade. A ausência de resposta, dificuldade de contato ou desaparecimento após o pagamento são sinais claros de alerta.
Bicalho também destaca a importância de avaliações públicas e referências reais como forma de proteção. Em um ambiente onde golpes migratórios se tornaram mais sofisticados, a transparência passou a ser um dos principais critérios de segurança.
As autoridades americanas já possuem unidades específicas para identificar fraudes migratórias, mas o volume de casos e a complexidade dos esquemas dificultam uma resposta rápida e abrangente.
No fim, o impacto vai além dos casos individuais. Cada fraude identificada contribui para tornar o sistema mais rígido, aumentando a dificuldade para aqueles que realmente precisam de proteção.
E esse é o ponto central. Quando o abuso cresce, a consequência inevitável é o endurecimento das regras. E quem paga o preço, muitas vezes, não é quem tenta fraudar, mas quem depende do sistema para sobreviver.
