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Governo Trump suspende Microsoft e Adobe de programa de Green Card

O governo Trump suspendeu oito empresas de tecnologia, incluindo Microsoft e Adobe, do programa de certificação trabalhista PERM, uma etapa importante para a obtenção do Green Card por meio do emprego. A medida interrompe novos pedidos e a análise de processos pendentes das empresas atingidas, em meio a investigações federais sobre possíveis irregularidades na contratação de profissionais estrangeiros.

sexta-feira, 09 out 2026
Fernando Hessel
17:27
Tempo de leitura: 3 minutos
suspensão do PERM para empresas de tecnologia

Decisão atinge oito empresas de tecnologia e interrompe pedidos de certificação trabalhista em meio a acusações de abuso e investigações federais.

WASHINGTON, D.C., 9 de outubro de 2026 – O governo de Donald Trump suspendeu a Microsoft, a Adobe e outras seis empresas de tecnologia do programa de certificação trabalhista PERM, uma etapa importante para a obtenção do Green Card por meio do emprego. A decisão, anunciada em 8 de outubro pelo Departamento do Trabalho, impede o recebimento de novos pedidos e a continuidade da análise dos processos pendentes dessas companhias.

Além da Microsoft e da Adobe, a medida alcança Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services, Wipro, HCL Technologies e Capgemini. O governo afirma que pretende combater irregularidades no uso de programas de contratação de profissionais estrangeiros e proteger os trabalhadores americanos.

O vice-presidente JD Vance citou a Microsoft como exemplo, afirmando que a companhia demitiu cerca de 6 mil funcionários americanos em 2025 enquanto continuava recorrendo a vistos H-1B e a processos de residência permanente para profissionais estrangeiros. O secretário do Trabalho, Keith Sonderling, declarou que a suspensão da Microsoft e da Adobe está relacionada a múltiplas investigações federais em andamento.

Até o momento, porém, a existência de investigações e a decisão administrativa não equivalem a uma comprovação definitiva de fraude. Não havia sido divulgada uma conclusão pública de culpa das empresas no momento do anúncio.

“É importante separar a investigação de uma eventual comprovação de irregularidade. Uma suspensão pode ter consequências concretas para empresas e trabalhadores, mas não significa, por si só, que a fraude já tenha sido demonstrada. É necessário acompanhar os fundamentos da decisão e os resultados das apurações”, explica Vinícius Bicalho, advogado especializado em imigração e CEO e fundador da Bicalho Legal Consulting P.A.

A Microsoft contestou a interpretação apresentada pelo governo. Em comunicado, a empresa afirmou que a grande maioria de seus funcionários nos Estados Unidos é americana. Informou ainda que, dos aproximadamente 6 mil pedidos de visto H-1B apresentados no último ano fiscal, cerca de 80% se destinavam à extensão ou à mudança de status de funcionários que já trabalhavam na companhia, e não à contratação de novos profissionais.

A empresa também declarou que os pedidos referentes a novas contratações correspondiam a profissionais que já estavam legalmente nos Estados Unidos e representavam cerca de 1% de sua força de trabalho americana. A Adobe, por sua vez, não havia apresentado uma resposta pública detalhada nas primeiras reportagens sobre a suspensão.

O PERM é o processo pelo qual, na maioria dos casos, o empregador precisa demonstrar que não há trabalhadores americanos qualificados e disponíveis para determinada vaga e que a contratação de um estrangeiro não prejudicará os salários e as condições de trabalho locais. Após a certificação trabalhista, o empregador pode avançar para as etapas seguintes do processo de residência permanente, conforme a categoria migratória aplicável.

Bicalho ressalta que a medida precisa ser interpretada de acordo com seu alcance específico. “O PERM não é um visto H-1B e também não é o próprio Green Card. É uma etapa do caminho para a residência permanente baseada em emprego. Por isso, a suspensão pode interromper ou atrasar processos que dependam dessa certificação, mas não deve ser interpretada automaticamente como cancelamento dos vistos ou dos Green Cards já concedidos aos funcionários”, afirma.

O impacto mais imediato recai sobre profissionais cujos processos de residência permanente dependem de pedidos PERM apresentados por uma das empresas atingidas. A duração da suspensão e os próximos passos administrativos serão determinantes para entender como cada caso poderá avançar.

Para trabalhadores estrangeiros, a recomendação é verificar em que etapa o processo se encontra e buscar orientação individualizada antes de tomar decisões sobre emprego ou status migratório. A situação de quem já possui um visto válido, de quem aguarda uma certificação trabalhista e de quem já obteve residência permanente pode ser bastante diferente.

O caso também reacende o debate sobre o uso de mão de obra estrangeira por grandes empresas de tecnologia. Para que as acusações produzam consequências definitivas, entretanto, será necessário conhecer os fundamentos das investigações e distinguir eventuais violações comprovadas das alegações feitas pelas autoridades.