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Brasil e EUA devem manter parceria comercial independentemente do resultado das urnas

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos deve continuar estratégica independentemente das mudanças políticas decorrentes das eleições brasileiras. Em 2025, o comércio bilateral de bens e serviços movimentou aproximadamente US$ 135,7 bilhões, além de envolver investimentos, tecnologia, serviços, agronegócio, energia, indústria e turismo. A integração econômica construída ao longo de décadas tende a preservar os interesses de empresas, investidores e consumidores dos dois países, mesmo diante de mudanças de governo e prioridades políticas.

terça-feira, 06 out 2026
Fernando Hessel
17:51
Tempo de leitura: 3 minutos
relação comercial entre Brasil e Estados Unidos

Resultado das eleições brasileiras não deve alterar a importância estratégica da relação econômica entre as duas maiores economias do continente.

WASHINGTON, D.C., 6 de outubro de 2026 – A conclusão das eleições presidenciais no Brasil naturalmente gera expectativas sobre os rumos da economia, dos investimentos e das relações internacionais. No entanto, especialistas avaliam que, independentemente do resultado das urnas, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos deve permanecer sólida, impulsionada por interesses econômicos que ultrapassam governos e ciclos eleitorais.

Os números ajudam a explicar essa realidade. Em 2025, o comércio bilateral de bens e serviços entre os dois países alcançou aproximadamente US$ 135,7 bilhões, um crescimento de 6,5% em relação ao ano anterior. Somente o comércio de mercadorias movimentou cerca de US$ 94,2 bilhões. Os Estados Unidos exportaram US$ 54,3 bilhões para o Brasil e importaram US$ 39,9 bilhões em produtos brasileiros.

Além da troca de mercadorias, a relação econômica também envolve investimentos, tecnologia, serviços, turismo, agronegócio, energia, aviação e indústria. Os Estados Unidos continuam sendo uma das principais fontes de investimento estrangeiro no Brasil, enquanto o mercado americano permanece entre os destinos mais importantes para produtos brasileiros de maior valor agregado.

“É natural que cada eleição gere discussões sobre política externa e relações comerciais. Mas a realidade é que Brasil e Estados Unidos possuem uma integração econômica construída ao longo de décadas. Trata-se de uma relação muito maior do que qualquer governo específico”, afirma Vinícius Bicalho, advogado de imigração, CEO e fundador da Bicalho Legal Consulting P.A.

O Brasil é a maior economia da América Latina e os Estados Unidos seguem sendo a maior economia do mundo. Empresas americanas mantêm presença relevante em diversos setores da economia brasileira, enquanto companhias brasileiras continuam expandindo operações, investimentos e exportações para o mercado americano.

Mudanças de tom político podem ocorrer ao longo dos próximos anos, mas dificilmente haverá uma ruptura econômica significativa entre os dois países.

“As empresas tomam decisões olhando para mercado consumidor, segurança jurídica, logística e oportunidades de negócios. Esses fatores normalmente pesam mais do que discursos eleitorais. O comércio internacional não para a cada troca de governo”, observa Bicalho.

Os próprios números demonstram a força dessa parceria. O Brasil figura entre os principais mercados para exportações americanas no hemisfério ocidental, enquanto milhares de empresas brasileiras dependem do acesso ao mercado dos Estados Unidos para expandir negócios, gerar empregos e atrair investimentos.

Outro aspecto relevante envolve os laços humanos entre as duas nações. Milhões de brasileiros vivem, estudam, trabalham ou possuem interesses econômicos nos Estados Unidos. Da mesma forma, empresas americanas mantêm operações que empregam milhares de trabalhadores em território brasileiro.

“Existe uma complementaridade econômica muito forte entre Brasil e Estados Unidos. O empresário brasileiro continua interessado no mercado americano e o investidor americano continua enxergando o Brasil como uma das economias mais relevantes da América Latina. Essa dinâmica não desaparece por causa de uma eleição.”

Na visão do fundador da Bicalho Legal Consulting P.A., os efeitos mais relevantes das eleições costumam estar ligados à condução da política econômica interna, à previsibilidade regulatória e à confiança dos investidores, muito mais do que a mudanças estruturais na relação bilateral.

“Governos passam. Os interesses econômicos permanecem. Quando falamos de uma relação que movimenta mais de US$ 135 bilhões por ano, estamos falando de uma parceria construída por empresas, consumidores, investidores e trabalhadores dos dois países. Essa é a base que sustenta a relação comercial.”

Embora as eleições possam influenciar prioridades diplomáticas e estratégias de governo, especialistas acreditam que a força econômica dos dois mercados continuará sendo o principal fator de aproximação entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos.

Para Bicalho, a mensagem é clara: independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto ou a Casa Branca, Brasil e Estados Unidos continuarão precisando um do outro. “A economia tem uma capacidade muito maior de construir pontes do que a política tem de criar barreiras. Os interesses comuns, os investimentos e as oportunidades de negócios continuarão existindo porque beneficiam ambos os países. É isso que sustenta a relação entre duas das economias mais importantes das Américas.”