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EUA desmantelam esquema de casamentos falsos que movimentou milhões de dólares

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou 11 pessoas acusadas de participar de um esquema de casamentos falsos que teria organizado mais de mil uniões fraudulentas ao longo de cerca de dez anos. Estrangeiros teriam pago até US$ 100 mil para obter residência permanente por meio de relacionamentos simulados e documentos falsificados.

quinta-feira, 13 ago 2026
Fernando Hessel
12:14
Tempo de leitura: 3 minutos
Casamento falso

Rede teria organizado mais de mil casamentos fraudulentos para obtenção de Green Cards. Estrangeiros chegaram a pagar US$ 100 mil pelo esquema

WASHINGTON, D.C., 13 de agosto de 2026 – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou o indiciamento de 11 pessoas acusadas de participar de um dos maiores esquemas de fraude matrimonial já investigados no país. Segundo as autoridades, a organização teria promovido mais de mil casamentos falsos durante uma operação que se estendeu por aproximadamente dez anos.

De acordo com a acusação, estrangeiros, principalmente cidadãos da China, pagavam até US$ 100 mil para serem apresentados a cidadãos americanos, participar de cerimônias encenadas e solicitar a residência permanente nos Estados Unidos por meio do casamento.

O esquema teria operado entre 2016 e julho de 2026, com atuação em diferentes estados americanos, incluindo Nova York, Connecticut, Massachusetts, Pensilvânia, Kentucky, Tennessee, Geórgia e Flórida. A rede também teria organizado casamentos em outros países, como China e Vanuatu.

Embora estivesse concentrada principalmente na cidade de Nova York, a organização mantinha uma estrutura nacional e internacional. Havia pessoas responsáveis por localizar estrangeiros interessados, recrutar cidadãos americanos, organizar as cerimônias e preparar os documentos apresentados ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, o USCIS.

Os cidadãos americanos que aceitavam participar dos casamentos falsos recebiam até US$ 30 mil. O pagamento geralmente era dividido em etapas, conforme o avanço do processo de obtenção do Green Card. Já os recrutadores poderiam receber comissões de aproximadamente US$ 5 mil por cada americano indicado.

Segundo o Departamento de Justiça, muitos dos participantes se encontravam pela primeira vez pouco antes de solicitarem a licença de casamento. Em seguida, realizavam cerimônias encenadas e produziam fotografias para tentar convencer as autoridades de que mantinham uma relação legítima.

Depois do casamento, o grupo fabricava outras evidências, como contas bancárias conjuntas, contratos de serviços públicos, declarações de imposto de renda e apólices de seguro. Os envolvidos também recebiam orientação sobre como responder às perguntas feitas pelos agentes de imigração durante as entrevistas.

Para o advogado Vinícius Bicalho, especialista em imigração nos Estados Unidos, o caso demonstra que a aprovação inicial de um processo não impede uma investigação posterior.

“O governo americano pode revisar processos migratórios mesmo anos depois da concessão do benefício. Quando existem indícios de fraude, toda a documentação, as entrevistas e o histórico do casal podem ser novamente analisados”, explica.

Bicalho ressalta que a investigação não atinge apenas os organizadores do esquema. Os estrangeiros que obtiveram benefícios migratórios por meio de informações falsas também poderão enfrentar consequências administrativas e criminais.

“A fraude matrimonial pode provocar a perda do Green Card, impedir futuros benefícios migratórios e levar a pessoa a um processo de remoção. Se a cidadania americana foi obtida com base em uma residência permanente fraudulenta, o governo ainda poderá avaliar uma ação para retirar essa naturalização”, afirma o advogado.

Os 11 acusados respondem por conspiração para cometer fraude matrimonial e fraude migratória, crime que pode resultar em até cinco anos de prisão. Eles também foram acusados de conspiração para incentivar a permanência ilegal de estrangeiros nos Estados Unidos, cuja pena máxima pode chegar a dez anos.

Segundo as autoridades, a rede teria encaminhado ao USCIS centenas de pedidos fraudulentos de residência permanente. Considerando o tempo de funcionamento e o número de participantes, os investigadores estimam que o esquema tenha arrecadado dezenas de milhões de dólares.

A operação envolveu agentes do Departamento de Segurança Interna, do FBI, do USCIS, da Divisão de Investigação Criminal do Exército americano e da Promotoria do Condado de Westchester.

As prisões ocorreram em diferentes localidades de Nova York. Mandados de busca também foram cumpridos em imóveis no Brooklyn e no Queens.

O procurador-geral Todd Blanche declarou que o Departamento de Justiça pretende ampliar o combate às fraudes no sistema migratório. Já o diretor do USCIS, Joseph Edlow, classificou os esquemas de casamento fraudulento como uma ameaça à segurança nacional e afirmou que o órgão continuará investigando organizações que lucram com a obtenção irregular de benefícios.

O indiciamento representa apenas uma acusação formal. Os 11 réus são considerados inocentes até que exista uma eventual condenação definitiva pela Justiça americana.