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Previsão de Elon Musk para 90% da internet reforça a força do mercado americano

A expansão da Starlink e a previsão de Elon Musk sobre o futuro da internet reforçam o potencial do mercado americano para empresas e investidores. O crescimento da economia espacial e de setores como tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura pode abrir oportunidades para empresários brasileiros. O artigo destaca, porém, que investir ou abrir uma empresa nos Estados Unidos exige planejamento jurídico, tributário e imigratório, além de avaliar alternativas como L-1A e EB-5 de acordo com o perfil de cada negócio.

quinta-feira, 13 ago 2026
Fernando Hessel
12:22
Tempo de leitura: 4 minutos
mercado americano

Crescimento da Starlink revela novas fronteiras econômicas nos Estados Unidos, mas investidores brasileiros precisam alinhar negócios, tributação e planejamento imigratório

WASHINGTON, D.C., 13 de agosto de 2026 – A previsão de Elon Musk de que a Starlink poderá transportar, no futuro, mais de 90% do tráfego mundial de internet voltou a colocar os Estados Unidos no centro das grandes transformações tecnológicas e econômicas do planeta. A declaração foi feita durante uma reunião com funcionários da SpaceX e repercutiu no mercado financeiro diante da dimensão dos planos apresentados pelo empresário.

Musk afirmou que a Starlink possui quase 11 mil satélites em órbita e poderá alcançar uma constelação de 100 mil unidades com as próximas gerações da tecnologia. A companhia também informou ter chegado a 12 milhões de assinantes, enquanto a receita de sua área de conectividade alcançou US$ 4,29 bilhões no segundo trimestre de 2026.

A projeção de concentrar 90% do tráfego mundial representa, por enquanto, uma ambição empresarial, e não uma realidade consolidada. Uma participação dessa dimensão pode ser interpretada como a formação de um monopólio e desperta questionamentos legítimos sobre concorrência e concentração econômica. No caso da Starlink, porém, existe também uma leitura diferente sobre os possíveis efeitos para o consumidor.

Analistas que acompanham o setor avaliam que o aumento da capacidade dos satélites, a reutilização dos foguetes e a rápida expansão da base de assinantes podem reduzir significativamente o custo de transmissão da internet. A lógica econômica estaria menos concentrada na cobrança de preços elevados e mais no volume de consumidores conectados em diferentes partes do mundo.

A próxima geração de satélites Starlink V3 foi projetada para oferecer capacidade de transmissão muito superior à dos equipamentos atuais. Com milhões de assinantes compartilhando os custos de fabricação, lançamento e operação da rede, a SpaceX poderá tornar o serviço mais competitivo, especialmente em regiões afastadas ou ainda dependentes de uma infraestrutura terrestre limitada.

Nesse cenário, uma concentração elevada não significaria necessariamente internet mais cara. O ganho de escala permitiria à empresa cobrar menos de cada consumidor e, ao mesmo tempo, ampliar sua receita pelo volume mundial de assinantes. A redução do preço final, entretanto, ainda dependerá da concorrência, das regulações de cada país e das decisões comerciais da própria SpaceX.

O avanço da companhia demonstra como os Estados Unidos continuam oferecendo condições para que empresas desenvolvam tecnologias, captem recursos e criem mercados capazes de alcançar consumidores em escala global. Esse ambiente também movimenta cadeias inteiras de fornecedores, prestadores de serviços e empresas ligadas à comunicação, inteligência artificial, segurança digital, infraestrutura e economia espacial.

A SpaceX abriu seu capital em junho de 2026 e passou a negociar ações na Nasdaq sob o código SPCX. Documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos mostram que a operação levantou aproximadamente US$ 85,7 bilhões. O resultado reforçou a capacidade do mercado americano de financiar projetos de grande escala e tornou ainda mais visível o potencial dos novos setores da economia.

Para o advogado Vinícius Bicalho, da Bicalho Legal Consulting P.A., essa expansão deve ser observada pelos empresários brasileiros interessados em ingressar no mercado americano.

“Não se trata apenas de investir diretamente em uma grande companhia. Empresas desse porte movimentam fornecedores, desenvolvedores de tecnologia, prestadores de serviços e negócios especializados. É nesse ambiente que podem surgir possibilidades para empresários estrangeiros preparados para atuar nos Estados Unidos”, afirma Bicalho.

O crescimento dos setores tecnológicos, no entanto, não elimina a necessidade de planejamento. Antes de transferir recursos, constituir uma empresa ou iniciar uma operação nos Estados Unidos, o investidor brasileiro precisa definir a estrutura jurídica adequada, avaliar os efeitos tributários e verificar se o projeto empresarial também poderá sustentar uma estratégia imigratória.

A simples abertura de uma empresa americana, a compra de ações ou a realização de um investimento não concedem automaticamente visto ou green card. Negócios, tributação e imigração podem caminhar juntos, mas cada área possui regras e exigências próprias.

Empresários que já mantêm uma companhia em funcionamento no Brasil podem, por exemplo, avaliar sua expansão para os Estados Unidos. Dependendo da estrutura societária, do histórico da empresa e da função exercida pelo profissional, uma das alternativas pode ser a categoria L-1A. Essa classificação exige uma relação empresarial válida entre as companhias estrangeira e americana, além do cumprimento de requisitos relacionados à experiência e à posição executiva ou gerencial do beneficiário.

Outra possibilidade é o programa EB-5, destinado a investidores que realizam o aporte exigido em uma nova empresa comercial americana e comprovam a criação de pelo menos dez empregos permanentes em tempo integral. A escolha da estratégia, entretanto, deve decorrer das características reais do empreendimento, da origem dos recursos e do perfil do investidor.

O planejamento tributário também precisa começar antes da entrada do capital. A escolha da estrutura empresarial pode alterar a forma de tributação, as obrigações informativas e o tratamento das remessas entre Brasil e Estados Unidos. Companhias americanas com participação estrangeira também podem estar sujeitas a declarações específicas perante o Internal Revenue Service.

“Um investimento economicamente promissor pode se tornar mais caro e complexo quando sua estrutura é definida sem considerar previamente os efeitos tributários e imigratórios. O planejamento precisa acontecer antes da constituição da empresa e da transferência dos recursos”, alerta Vinícius Bicalho, da Bicalho Legal Consulting P.A.

A ambição apresentada por Elon Musk mostra que a economia americana continua criando novas fronteiras de negócios. Para os investidores brasileiros, a oportunidade não está apenas na valorização de uma grande companhia. Ela também aparece nas atividades desenvolvidas ao redor dessas transformações e na capacidade de converter capital em uma operação juridicamente segura, tributariamente sustentável e compatível com os objetivos de permanência nos Estados Unidos.