Só uma em cada quatro empresas sobrevive após recuperação judicial

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Fonte: Folha

O número de empresas que deram entrada no pedido de recuperação judicial no Brasil bateu recorde histórico no mês passado. E, se depender do histórico do dispositivo, apenas 1 em cada 4 vai efetivamente conseguir retomar as operações.

Segundo especialistas, o mais provável é que a companhia que vai sobreviver seja de médio ou grande porte, enquanto que a maior parte das pequenas e micro que recorrerem ao socorro ficará pelo caminho.

Estudo inédito do birô de crédito Serasa Experian acompanhou 3.522 empresas que tiveram a recuperação judicial deferida entre junho de 2005 –ano em que a lei foi criada– e dezembro de 2014. Desse número, 946 companhias tiveram o processo encerrado no período. Delas, apenas 218 (ou 23%) voltaram à ativa. A realidade para as demais 728 foi ter a falência decretada.

A perspectiva é que a taxa de sucesso caia, considerando que o estudo foi concluído antes que a crise econômica que afeta o país fizesse mais vítimas no mercado, principalmente entre as micro e pequenas empresas. Neste ano, o indicador da Serasa que mede a quantidade de companhias que deram entrada no pedido de recuperação judicial vem batendo recorde. Até setembro, o número de solicitações disparou 62% ante os primeiros nove meses de 2015: 1.479 empresas pediram recuperação.

O estudo da Serasa não conclui se a taxa de sucesso é positiva ou negativa.

“Não é um estudo voltado para trazer informação conjuntural”, diz Luiz Rabi, economista da Serasa.

Apesar disso, ele pondera: “Fica o questionamento: se eu não estou conseguindo recuperar nem metade das empresas, o instrumento talvez não esteja cumprindo de forma eficiente o objetivo para o qual foi gerado”.

 

ATRASO

Alguns fatores desequilibram a balança e ajudam a definir se a empresa terá sucesso ou não no processo.

Um dos principais é o momento de pedir a recuperação. “Boa parte das empresas menores ainda funciona em esquema familiar, então é difícil para o patriarca admitir que precisa de ajuda para sair do vermelho”, diz Fabio Cortezzi, assessor jurídico da FecomercioSP.

O timing certo é apontado por Luiz Antônio Nogueira, diretor financeiro da varejista de informática Cecomil, como diferencial para a recuperação que a empresa enfrentou nos últimos dois anos. “Se a gente tivesse demorado mais três ou quatro meses para entrar, seria questão de tempo para a empresa fechar”, diz.

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