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Dois presidentes-chave na imigração dos EUA

Ao longo da história dos Estados Unidos, determinados presidentes desempenharam papel decisivo na definição dos rumos da política migratória. Suas decisões influenciaram critérios de admissibilidade, controle de fronteiras, programas de regularização e a própria estrutura do sistema imigratório vigente. A análise de dois presidentes-chave na imigração dos EUA permite compreender como mudanças legislativas e executivas moldaram o cenário atual, impactando milhões de imigrantes, empresas e relações internacionais.
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Fonte: Shutterstock

Os marcos legais que redefiniram a política migratória americana

WASHINGTON, DC (FEVEREIRO 17, 2026)
A evolução da política migratória dos Estados Unidos tem como pilares duas decisões presidenciais de alto impacto estrutural: a reforma legislativa sancionada por Lyndon B. Johnson em 1965 e a regularização em massa promovida por Ronald Reagan em 1986. Ambas as medidas alteraram de forma concreta o funcionamento do sistema migratório e seus efeitos demográficos, econômicos e jurídicos ao longo das décadas seguintes.

Em 1965, Johnson assinou o Immigration and Nationality Act, legislação que eliminou o sistema de cotas por origem nacional vigente desde os anos 1920. Até então, o modelo favorecia majoritariamente a imigração europeia. Com a reforma, os critérios passaram a priorizar reunificação familiar e qualificação profissional, ampliando o acesso legal para imigrantes da América Latina, Ásia e África. Dados históricos indicam que a imigração legal anual cresceu significativamente nas décadas posteriores, consolidando a base normativa do atual sistema migratório dos Estados Unidos.

Segundo o Professor de direito imigratório e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinicius Bicalho, a lei de 1965 representa a principal virada jurídica da imigração moderna americana, pois redefiniu os critérios legais de admissão e estruturou um modelo mais alinhado à dinâmica econômica e social do país. Para Bicalho, trata-se de uma mudança legislativa de longo alcance, cujos efeitos permanecem vigentes no cenário migratório contemporâneo.

Já em 1986, durante o governo Reagan, foi sancionado o Immigration Reform and Control Act (IRCA), responsável pela maior regularização migratória da história dos Estados Unidos. A legislação permitiu a legalização de aproximadamente 3 milhões de imigrantes indocumentados, garantindo autorização de trabalho e estabilidade jurídica para trabalhadores já inseridos na economia americana.

De acordo com Bicalho, a abordagem adotada por Reagan refletiu uma leitura pragmática do mercado de trabalho americano, reconhecendo a presença consolidada da mão de obra imigrante em setores estratégicos como agricultura, construção e serviços. A regularização em larga escala contribuiu para a formalização laboral, aumento da arrecadação tributária e maior integração socioeconômica.

Relatórios técnicos do Congressional Research Service apontam que, após a implementação do IRCA, houve crescimento na formalização da força de trabalho imigrante e maior previsibilidade jurídica para empregadores e trabalhadores. Ao mesmo tempo, a lei introduziu sanções a empregadores que contratassem trabalhadores sem autorização, estabelecendo um modelo híbrido entre controle migratório e integração econômica.

Sob análise histórica e institucional, Johnson reformulou a estrutura legal da imigração americana, enquanto Reagan protagonizou a maior política de regularização já registrada no país. Essas duas decisões presidenciais continuam influenciando debates legislativos em Washington e servem como referência central para propostas contemporâneas de reforma migratória nos Estados Unidos.

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