Uma crônica natalina sobre entradas, saídas e um certo Global Entry
WASHINGTON, DC (DEZEMBRO 23, 2025) – São incontáveis as entradas e saídas do Papai Noel pelos Estados Unidos ao longo dos anos. Dezembro após dezembro, lá está ele cruzando fronteiras, pousando silenciosamente, entrando e saindo sem atrasos.
Se existe alguém que conhece bem a imigração americana, esse alguém é o Papai Noel. Não há fila que o segure. Não há entrevista que o atrase. É razoável imaginar que ele já tenha o Global Entry aprovado há décadas. Biometria feita, histórico impecável, trusted traveler nível máximo. Enquanto passageiros comuns encaram longas filas, o Papai Noel passa direto, desejando um Merry Christmas ao agente e seguindo viagem.
Afinal, estamos falando de um viajante frequente, com padrão de deslocamento previsível, propósito claro e histórico absolutamente limpo. Zero overstays. Zero violações. Zero improviso.
Se algum dia ele precisasse explicar o motivo da viagem, seria simples. Vem, entrega presentes, retorna. Sempre retorna. Nunca muda o plano. Nunca tenta ficar além do autorizado.
E se tivesse que preencher formulários, faria isso com a mesma precisão com que organiza sua lista. Nome completo, endereço fixo no Polo Norte, atividade sazonal, período curto, vínculos sólidos com o país de origem. Um peticionário exemplar.
O Papai Noel é, no fundo, tudo o que a imigração americana gosta de ver. Clareza, previsibilidade e boa-fé. Ele não entra para descobrir o que vai fazer. Ele entra sabendo exatamente o que veio fazer.
Talvez seja por isso que nunca ouvimos falar de problemas na imigração envolvendo o trenó. Não é magia apenas. É organização.
No Natal, a fantasia ajuda a contar histórias bonitas. Mas, curiosamente, o Papai Noel ensina algo muito real. Quando o plano é claro e bem definido, a viagem acontece sem drama.
Até porque, convenhamos, alguém que entra e sai dos Estados Unidos há séculos, sem nunca perder um voo, certamente sabe o caminho certo.
Professor de direito imigratório e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinicius Bicalho
