Subestimar regras e ignorar riscos jurídicos transforma entrevista de green card em ponto de ruptura
WASHINGTON, DC (JANEIRO 24, 2026) – A detenção de um brasileiro durante a entrevista final para a obtenção do green card, dentro de um escritório do USCIS na Califórnia, revela um ponto central frequentemente ignorado por imigrantes: em muitos casos, o problema não está no sistema americano, mas na condução inadequada do próprio processo migratório.
Matheus Silveira foi preso por agentes do ICE no momento em que acreditava estar prestes a concluir o ajuste de status. A entrevista terminou em custódia imediata e, posteriormente, em autorização apenas para saída voluntária, acompanhada de uma proibição de retorno aos Estados Unidos por dez anos.
Para o advogado Vinicius Bicalho, fundador e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., a entrevista de ajuste de status está longe de ser uma formalidade. Trata-se do momento mais sensível de todo o procedimento migratório, quando o governo cruza histórico, registros internos e alertas já existentes no sistema.
“A entrevista não apaga irregularidades anteriores. É justamente nela que o governo consolida tudo o que já está documentado sobre o imigrante”, afirma Vinicius Bicalho.
No caso, o Departamento de Segurança Interna sustenta que o brasileiro permaneceu no país após o vencimento de um visto de estudante do tipo F-1. Ainda que não haja antecedentes criminais, a infração migratória de permanência fora de status é suficiente para justificar a custódia. No direito imigratório americano, esse tipo de violação tem peso jurídico próprio.
Bicalho alerta que muitos imigrantes cometem um erro recorrente ao acreditar que casamento com cidadão americano, boa-fé no relacionamento ou circunstâncias excepcionais como a pandemia seriam capazes de neutralizar irregularidades anteriores. A legislação não funciona dessa forma.
Outro equívoco comum é a falsa sensação de segurança durante a entrevista. O ambiente cordial não elimina riscos. Se houver um alerta ativo, a detenção pode ocorrer dentro da própria sala, sem aviso prévio, explica Bicalho.
O impacto vai além do aspecto jurídico. Com a inviabilidade da permanência nos Estados Unidos, o casal decidiu recomeçar a vida no Brasil, enfrentando perdas profissionais, mudanças forçadas de carreira e uma restrição migratória de longo prazo.
O caso reforça um alerta direto à comunidade brasileira: no sistema imigratório dos Estados Unidos, fazer tudo corretamente não é um detalhe técnico, é uma condição essencial. Falhas de estratégia, leitura superficial do histórico migratório e ausência de orientação adequada transformam a entrevista final em um ponto de ruptura, e não em uma conquista.
