O impacto silencioso do comportamento pessoal na análise de admissibilidade e elegibilidade imigratória
WASHINGTON, DC (JANEIRO 7, 2026) — O uso de álcool e drogas ainda é um dos temas mais mal compreendidos quando se fala em processos migratórios nos Estados Unidos. Embora muitos candidatos concentrem esforços em comprovar renda, vínculos profissionais ou histórico acadêmico, existe um fator invisível que pode comprometer todo o planejamento, o comportamento pessoal. De acordo com análises feitas pelo advogado Vinicius Bicalho, fundador e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., autoridades consulares e migratórias tratam sinais de abuso de substâncias como um risco potencial à saúde pública e à segurança individual, mesmo quando não há registro criminal.
O consumo excessivo de álcool pode levar à exigência de exames médicos adicionais e avaliações especializadas, especialmente quando há histórico de DUI, ainda que como misdemeanor. Segundo Bicalho, o problema não se limita à infração em si, mas ao que ela representa, um possível padrão de abuso. Dados do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism mostram que cerca de 29 milhões de pessoas nos Estados Unidos convivem com algum nível de transtorno relacionado ao álcool, o que reforça o motivo do escrutínio consular.
A maconha, por sua vez, cria armadilhas frequentes para quem não domina a legislação federal. Mesmo sendo legal em diversos estados, o uso, a posse e o comércio seguem proibidos pela legislação federal aplicável à imigração. Isso significa que admitir uso recreativo, mesmo onde é permitido, pode resultar em inadmissibilidade permanente. Muitas negativas de visto ocorrem não pelo uso em si, mas por inconsistências nas respostas, omissões ou declarações contraditórias durante a entrevista.
Bicalho explica que o ponto central é a percepção de risco futuro. Oficiais de imigração podem interpretar um padrão de comportamento como ameaça potencial à ordem pública. Assim, mesmo a ausência de antecedentes criminais não impede a negativa. Em casos mais graves, omitir informações sobre consumo pode configurar fraude, gerando consequências inclusive para residentes permanentes.
Relatórios médicos, comprovação de tratamento e histórico de abstinência podem ajudar a reverter interpretações negativas, mas o peso da decisão sempre recai sobre o oficial responsável. A imigração americana não avalia apenas o passado, mas também a probabilidade de comportamento futuro. Por isso, planejamento e transparência absoluta são fundamentais.
Para quem pretende iniciar uma nova vida nos Estados Unidos, o cuidado pessoal não é apenas uma escolha de saúde, mas uma necessidade estratégica. Uma decisão momentânea pode comprometer anos de preparo e colocar em risco todo um projeto de vida. A prevenção é sempre mais eficaz do que qualquer tentativa de correção posterior.
