Jogadores da Copa utilizam vistos especiais, mas a decisão final continua sendo das autoridades migratórias americanas.
WASHINGTON, 15 de junho de 2026 – A Copa do Mundo de 2026 já começou, mas uma questão pouco conhecida do público continua gerando dúvidas: afinal, qual visto permite que jogadores, técnicos e dirigentes entrem nos Estados Unidos para participar do maior evento esportivo do planeta?
Ao contrário dos turistas, os atletas não utilizam vistos de turismo ou negócios. A legislação americana prevê categorias migratórias específicas para esportistas profissionais que participam de competições internacionais realizadas em território americano.
A principal delas é o visto P-1A, destinado a atletas reconhecidos internacionalmente e membros de equipes esportivas que disputam eventos de alto nível. A mesma estrutura também pode ser utilizada por técnicos, preparadores físicos e outros integrantes essenciais das delegações.
Em situações específicas, alguns atletas de destaque mundial podem utilizar o visto O-1, reservado para pessoas com habilidades extraordinárias em suas respectivas áreas de atuação.
“A legislação migratória americana possui categorias próprias para atletas profissionais justamente para garantir a participação em competições esportivas internacionais. Não se trata de um visto de turismo, mas de uma autorização específica para o exercício de atividades esportivas em território americano”, explica Vinícius Bicalho, advogado licenciado nos Estados Unidos, professor de Direito, CEO e fundador da Bicalho Legal Consulting P.A.
Outro ponto importante é que o credenciamento da FIFA não substitui a legislação migratória dos Estados Unidos. Mesmo atletas, árbitros, dirigentes ou profissionais oficialmente vinculados à competição continuam sujeitos às análises realizadas pelas autoridades americanas de imigração e segurança nacional.
“O fato de uma pessoa estar credenciada pela FIFA não lhe garante automaticamente o direito de ingresso nos Estados Unidos. São esferas distintas. A FIFA organiza a competição, mas a decisão sobre admissão em território americano pertence exclusivamente às autoridades migratórias e aos órgãos responsáveis pela segurança nacional, especialmente o Departamento de Homeland Security”, acrescenta Bicalho.
A observação ganhou relevância após casos recentes envolvendo profissionais ligados ao futebol internacional que enfrentaram questionamentos migratórios apesar de possuírem credenciamento esportivo para eventos oficiais.
Além dos atletas, a mesma lógica se aplica a jornalistas, patrocinadores, fornecedores, funcionários de entidades esportivas e demais participantes credenciados para a Copa do Mundo. A autorização emitida pela FIFA permite o acesso às atividades do torneio, mas não substitui os requisitos exigidos pela legislação migratória americana.
A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história da FIFA, com 48 seleções disputando partidas nos Estados Unidos, Canadá e México.
