Novo programa do governo americano permitirá acelerar entrevistas consulares mediante pagamento de taxa adicional de US$ 750.
WASHINGTON, 9 de junho de 2026 – O governo dos Estados Unidos pretende lançar, a partir de 1º de julho, um programa piloto que permitirá a candidatos aos vistos de turismo e negócios (B1/B2) pagar uma taxa adicional de US$ 750 para obter uma entrevista consular em até 10 dias.
O valor será cobrado além da taxa regular de solicitação de visto, atualmente de US$ 185. Considerando a cotação próxima de R$ 5,50 por dólar, o custo adicional pode superar R$ 4.100, enquanto o processo completo poderá ultrapassar R$ 5.100 por solicitante.
A iniciativa surge em um momento em que os tempos de espera para entrevistas consulares ainda variam significativamente ao redor do mundo. Em alguns países, o agendamento pode levar semanas, enquanto em outros a espera pode ultrapassar vários meses. Pelo novo modelo, os candidatos que aderirem ao programa terão acesso a entrevistas em até 10 dias nos postos participantes.
O Brasil é um dos maiores mercados de vistos americanos do planeta. Em anos recentes, os consulados e a embaixada dos Estados Unidos emitiram, em média, mais de 1 milhão de vistos por ano para brasileiros, sendo a ampla maioria destinada a turismo e negócios.
Para o advogado, professor, CEO e fundador da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinícius Bicalho, a medida cria uma alternativa para quem valoriza agilidade, mas não altera os critérios de aprovação.
“A taxa premium não compra um visto. Ela apenas oferece acesso mais rápido à entrevista consular. A análise do pedido continua sendo realizada pelos oficiais consulares, com os mesmos critérios exigidos para qualquer solicitante”, explica Bicalho.
Segundo ele, os brasileiros devem avaliar se a urgência da viagem justifica o investimento adicional, especialmente diante do impacto da conversão cambial.
“Quando convertemos esse valor para reais, estamos falando de um custo significativo para muitas famílias brasileiras. É uma opção que pode fazer sentido para empresários, executivos ou situações emergenciais, mas não necessariamente para todos os viajantes”, afirma.
Bicalho destaca ainda que o novo sistema poderá beneficiar quem precisa viajar com pouca antecedência para reuniões, feiras, treinamentos ou compromissos familiares inesperados.
“O programa cria uma alternativa para quem precisa de previsibilidade e rapidez. Para muitos profissionais, perder uma oportunidade de negócio pode custar muito mais do que o valor da taxa adicional”, conclui.
O programa será inicialmente oferecido em embaixadas e consulados selecionados e deverá permanecer em fase de testes até 31 de dezembro de 2026.
