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Casa Branca divulga mais de 24 mil votos associados a não cidadãos nas eleições de 2020

Uma análise divulgada pela Casa Branca identificou mais de 24 mil registros eleitorais associados a pessoas que não possuíam cidadania americana nas eleições de 2020. O levantamento reacende o debate sobre a participação de não cidadãos em eleições federais e chama atenção para os riscos migratórios enfrentados por portadores de Green Card que tenham votado irregularmente.

terça-feira, 18 ago 2026
Fernando Hessel
15:25
Tempo de leitura: 2 minutos
voto de não cidadãos nos EUA

Nova análise indica retomada do escrutínio sobre a eleição perdida por Donald Trump e acende alerta para portadores de green card que tenham votado irregularmente

WASHINGTON, D.C., 18 de agosto de 2026 – A Casa Branca publicou nesta terça-feira, em seu perfil oficial no Instagram, os primeiros resultados de uma análise do Census Bureau que identificou mais de 24 mil registros de votação associados a pessoas que não possuíam cidadania americana nas eleições gerais de 2020.

O levantamento cruzou dados eleitorais com registros federais de imigração, concessão de green cards, vistos, naturalização, passaportes e informações da Social Security Administration. Segundo o Census Bureau, a classificação foi feita com “alta confiança”, embora outros 32 milhões de registros ainda precisem ser examinados.

Com a publicação, a administração de Donald Trump dá sinais de que voltou a investigar possíveis irregularidades na eleição presidencial de 2020, na qual ele foi derrotado por Joe Biden. O estudo não informa em quais candidatos essas pessoas votaram nem permite concluir que os registros tenham alterado o resultado eleitoral.

Esse novo movimento, porém, pode produzir consequências concretas para imigrantes identificados nos cruzamentos. Ao investigar quem votou irregularmente, as autoridades poderão chegar a portadores de green card que participaram de eleições federais sem possuir cidadania americana.

“Existe uma ideia equivocada de que o green card permite algum tipo de participação eleitoral. Não permite. O direito de votar em eleições federais é reservado aos cidadãos americanos. Para o imigrante, um único voto irregular pode provocar consequências criminais e migratórias muito sérias”, alerta o advogado de imigração e professor Vinícius Bicalho, da Bicalho Legal Consulting P.A.

Pela legislação federal, um não cidadão que votar em uma eleição para presidente, vice-presidente ou integrantes do Congresso pode enfrentar multa e até um ano de prisão. O episódio também pode resultar em deportação e comprometer pedidos de naturalização ou outros benefícios migratórios.

“O problema pode ultrapassar uma eventual multa ou processo criminal. O imigrante pode enfrentar deportação, ter a naturalização negada e comprometer outros benefícios. Se também declarou falsamente ser cidadão americano para se registrar ou votar, a situação se torna ainda mais grave e, em determinados casos, muito difícil de reverter”, explica Bicalho.

O advogado também chama atenção para registros eleitorais feitos por engano, inclusive durante atendimentos em órgãos estaduais. Receber um formulário, um cartão eleitoral ou aparecer no cadastro não significa que o imigrante esteja legalmente autorizado a votar.

“Quem não é cidadão não deve votar em eleições federais. Se descobrir que foi registrado indevidamente, deve procurar orientação jurídica antes de preencher novos documentos, solicitar a retirada do nome ou prestar declarações às autoridades”, orienta.

A legislação admite exceções restritas em determinadas eleições exclusivamente locais. Essas situações, no entanto, não autorizam o voto para presidente, Congresso ou qualquer outro cargo federal.

“A orientação é simples: não possui cidadania americana, não vote em eleições federais. Corrigir um registro antes da votação é muito diferente de tentar resolver o problema depois que o voto já foi realizado”, conclui Vinícius Bicalho.