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OPT pode ficar até 140 vezes mais caro e acende alerta entre estudantes internacionais

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos propôs uma taxa de até US$ 70 mil para a primeira participação no programa OPT e de US$ 30 mil para solicitações subsequentes. O programa permite que estudantes com visto F-1 obtenham experiência profissional nos EUA após a graduação. A medida ainda está em fase de proposta e poderá ser alterada ou abandonada após o período de comentários públicos, aberto de 8 de outubro a 9 de novembro.

quinta-feira, 08 out 2026
Fernando Hessel
17:50
Tempo de leitura: 3 minutos
taxa do OPT de US$ 70 mil

Proposta do Departamento de Segurança Interna prevê cobrança de até US$ 70 mil para participação no programa que permite experiência profissional após a graduação.

WASHINGTON, D.C., 8 de outubro de 2026 – O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) anunciou uma proposta que poderá transformar profundamente o programa Optional Practical Training (OPT), utilizado por centenas de milhares de estudantes internacionais para obter experiência profissional após a conclusão de seus cursos.

A medida propõe a criação de uma taxa de US$ 70 mil para a primeira participação no OPT e de US$ 30 mil para solicitações subsequentes. Atualmente, os estudantes já pagam taxas migratórias significativamente menores para obter a autorização de trabalho.

O OPT permite que estudantes com visto F-1 trabalhem temporariamente em áreas relacionadas à sua formação acadêmica. Dependendo do curso, o benefício pode durar até 12 meses, com extensão adicional de 24 meses para determinadas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

Segundo o DHS, a proposta busca combater fraudes, reforçar a integridade do sistema imigratório e proteger trabalhadores americanos.

“O anúncio chama atenção principalmente pelos valores apresentados. Estamos falando de uma taxa que, se aprovada nos moldes atuais, mudaria completamente a dinâmica do programa para universidades, estudantes e empregadores”, afirma Vinícius Bicalho, advogado de imigração, CEO e fundador da Bicalho Legal Consulting P.A.

Dados federais mostram que mais de 240 mil estudantes internacionais participavam do OPT nos Estados Unidos nos últimos anos, sendo que aproximadamente metade deles estava vinculada às áreas STEM. O programa se tornou uma das principais portas de entrada para experiência profissional qualificada após a formação universitária.

A proposta surge em meio a críticas da administração federal sobre supostos abusos identificados no programa, incluindo esquemas conhecidos como “pay-to-stay”, nos quais determinadas estruturas seriam utilizadas para manter estudantes no país sem atividades compatíveis com os objetivos originais do visto.

Apesar disso, a medida ainda está longe de entrar em vigor.

“O ponto mais importante neste momento é entender que não estamos diante de uma regra definitiva. O próprio governo abriu um período formal para comentários públicos, o que significa que universidades, empresas, associações educacionais e especialistas poderão apresentar críticas e sugestões antes de qualquer decisão final.”

A proposta estabelece que a taxa não seria paga diretamente pelo empregador. A responsabilidade inicial caberia às instituições de ensino certificadas pelo programa SEVP, que precisariam efetuar o pagamento antes de recomendar o estudante para o OPT no sistema federal.

Na avaliação de Bicalho, o impacto econômico potencial vai muito além dos estudantes.

“Os Estados Unidos recebem mais de um milhão de estudantes internacionais por ano. Somente em 2025, essa população gerou mais de US$ 50 bilhões para a economia americana e sustentou centenas de milhares de empregos. É um setor extremamente relevante para universidades, comunidades locais e empresas que dependem de mão de obra altamente qualificada.”

Os estudantes internacionais também representam uma importante fonte de talentos para setores estratégicos da economia americana. Empresas de tecnologia, engenharia, saúde, pesquisa científica e inovação frequentemente recrutam profissionais que passaram pelo sistema universitário americano e iniciaram suas carreiras por meio do OPT.

Por essa razão, especialistas acreditam que a proposta deverá enfrentar intenso debate durante o período de consulta pública.

“Existe um consenso de que fraudes devem ser combatidas e que programas migratórios precisam ser fiscalizados. A discussão agora será encontrar um equilíbrio entre esse objetivo e a necessidade de manter os Estados Unidos competitivos na atração dos melhores estudantes do mundo.”

O período de comentários públicos ficará aberto entre 8 de outubro e 9 de novembro. Após essa etapa, o DHS analisará as manifestações recebidas e poderá alterar, reduzir ou até abandonar partes da proposta antes da publicação de uma eventual regra final.

“Quem está estudando nos Estados Unidos ou pretende estudar não deve interpretar esse anúncio como uma mudança imediata. Trata-se de uma proposta que ainda percorrerá um longo caminho regulatório. O debate apenas começou, e é provável que universidades, empresas e entidades do setor educacional participem ativamente dessa discussão.”

Caso seja aprovada sem alterações substanciais, a medida poderá representar uma das mudanças mais significativas já propostas para o programa OPT desde sua criação, afetando diretamente o planejamento acadêmico e profissional de milhares de estudantes internacionais que escolhem os Estados Unidos como destino para sua formação universitária.