Voltar

Tarifa de 25% dos EUA não derruba mercado e Brasil atrai capital estrangeiro

A tarifa de 25% dos EUA sobre parte das exportações brasileiras entrou em vigor, mas o mercado reagiu de forma positiva. Com queda do dólar, alta do Ibovespa e manutenção da entrada de capital estrangeiro, o Brasil segue atraindo investidores, apesar dos impactos esperados em setores como máquinas agrícolas, madeira, etanol, roupas e calçados. Especialistas avaliam que o cenário continua exigindo atenção às próximas medidas comerciais entre os dois países.

quarta-feira, 22 jul 2026
Fernando Hessel
10:43
Tempo de leitura: 2 minutos
Tarifa de 25% dos EUA

Cenário inicialmente considerado catastrófico perde força com queda do dólar, alta da Bolsa e manutenção do interesse internacional pelo país

Washington, D.C., 22 de julho de 2026 – A entrada em vigor da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros poderia ter provocado uma reação catastrófica no mercado. O resultado observado nesta quarta-feira, porém, seguiu na direção contrária.

O dólar caiu para aproximadamente R$ 5,05, enquanto o Ibovespa avançou mais de 2%. A reação indica que, apesar das tensões comerciais, o Brasil continua atraindo capital estrangeiro. A tarifa americana atinge máquinas agrícolas, madeira, etanol, roupas e calçados. Estimativas apontam que entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras poderão ser afetadas. Produtos importantes, como café, carne bovina, aeronaves e peças de aviação, ficaram fora da nova cobrança.

O impacto sobre os setores atingidos é real e poderá resultar em redução das exportações e demissões. No mercado financeiro, entretanto, o temor de uma crise imediata não se confirmou.

“O cenário anunciado parecia extremamente negativo para o Brasil. Mas a reação do mercado mostra que o investidor internacional está olhando além das tarifas. O país continua oferecendo juros elevados, ativos atrativos, recursos naturais e oportunidades de retorno”, explica o advogado internacionalista Vinícius Bicalho.

A valorização do real foi sustentada pela entrada de recursos estrangeiros, pela alta dos juros brasileiros e pelo avanço do petróleo. Como exportador da commodity, o Brasil pode receber mais dólares com suas vendas internacionais, fortalecendo a balança comercial e a moeda nacional. Os juros elevados também favorecem as operações de carry trade. Nesse tipo de estratégia, investidores captam recursos em economias com taxas menores e direcionam o dinheiro para países que oferecem rendimentos mais altos. “Quando o capital internacional percebe que o risco está sendo compensado pelo retorno, o dinheiro procura esse mercado. Hoje, o Brasil reúne condições que continuam atraindo investidores, mesmo diante de uma disputa comercial com os Estados Unidos”, afirma Bicalho.

A alta da Bolsa, depois de cinco pregões consecutivos de queda, reforça essa leitura. O movimento demonstra que a imposição das tarifas não foi suficiente para provocar uma fuga generalizada de recursos. A resposta positiva também pode favorecer profissionais ligados às áreas de investimentos, tecnologia, energia, infraestrutura, comércio exterior, direito e consultoria internacional. Quanto maior a entrada de capital, maior tende a ser a demanda por especialistas capazes de estruturar negócios e acompanhar projetos no país.

Ainda é cedo para afirmar que os efeitos negativos das tarifas foram superados. Uma reação brasileira, novas medidas americanas ou o agravamento político entre os dois países pode aumentar a volatilidade. Mesmo assim, a resposta inicial do mercado derruba, ao menos por enquanto, a previsão de um colapso imediato. Em vez de uma retirada em massa, os sinais apontam para a continuidade da entrada de capital estrangeiro no Brasil.

“O Brasil precisa transformar essa confiança em investimentos de longo prazo. A reação desta quarta-feira mostra que o país tem capacidade de absorver choques externos e continuar competitivo aos olhos do mercado internacional”, conclui Vinícius Bicalho.