De carro, gasolina e viagens a home office e créditos por filhos, sistema permite deduções legais que não existem no Brasil
WASHINGTON, DC (MARÇO 26, 2026) – Fazer imposto de renda nos Estados Unidos vai muito além de cumprir uma obrigação com o governo. Para quem entende o sistema, trata-se de uma ferramenta real de organização financeira. Diferente do Brasil, onde as possibilidades são mais limitadas, o modelo americano permite uma gestão ativa das despesas para reduzir o imposto devido dentro da lei.
“Nos Estados Unidos, o contribuinte que entende o sistema consegue estruturar melhor sua vida financeira. Existe um incentivo claro à atividade produtiva, onde despesas legítimas podem ser utilizadas de forma estratégica para reduzir a carga tributária”, afirma Vinicius Bicalho, advogado licenciado nos Estados Unidos, Brasil e Portugal e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A.
Essa lógica gira em torno de um conceito central: despesas necessárias para gerar renda podem ser abatidas. E é justamente nesse ponto que o sistema americano se distancia do brasileiro.
Profissionais autônomos e empresários conseguem deduzir uma série de custos operacionais. Jornalistas podem incluir equipamentos de trabalho, softwares, assinaturas de plataformas de informação, além de despesas com deslocamento, uso do carro, combustível e viagens diretamente ligadas à atividade profissional. Advogados podem deduzir custos de estrutura, cursos de atualização, anuidades e ferramentas essenciais ao exercício da profissão.
O uso do veículo, inclusive, é um dos pontos que mais chamam atenção. Quando utilizado para fins profissionais, é possível abater milhagem, manutenção e outros custos associados, desde que devidamente comprovados. Isso inclui deslocamentos para reuniões, coberturas, visitas técnicas ou qualquer atividade ligada à geração de receita.
Em 2026, a média de restituição do imposto de renda nos Estados Unidos gira entre US$ 3.200 e US$ 3.600 por contribuinte, segundo o Internal Revenue Service (IRS), variando conforme renda, dependentes e uso de deduções e créditos.
O avanço do home office ampliou ainda mais esse cenário. Muitos contribuintes passaram a deduzir parte do aluguel, energia elétrica e internet, desde que exista um espaço dedicado exclusivamente ao trabalho dentro da residência, algo praticamente inexistente na prática tributária brasileira.
Outro destaque relevante são as despesas médicas. O sistema americano permite abatimentos mais amplos, especialmente em casos de tratamentos contínuos ou custos elevados, impactando diretamente no valor final do imposto.
Para famílias, há ainda créditos tributários, como o Child Tax Credit, que não apenas reduzem o imposto devido, mas em alguns casos geram restituição. Trata-se de uma lógica mais agressiva de estímulo econômico quando comparada ao modelo brasileiro.
No Brasil, o contribuinte costuma ter poucas alternativas além das deduções básicas, como saúde e educação, e mesmo assim com limites definidos. Já nos Estados Unidos, existe uma estrutura que permite planejamento ao longo do ano, organização e previsibilidade.
O resultado é direto. Quem entende o sistema, paga o que é devido. Quem não entende, acaba pagando mais do que deveria.
Para brasileiros que vivem ou pretendem viver nos Estados Unidos, dominar essas regras deixou de ser uma vantagem. É parte essencial da vida financeira.
