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Brasileiros olham para fora: EUA consolidam liderança como destino migratório

O crescimento do fluxo migratório de brasileiros reforça os Estados Unidos como principal destino internacional para quem busca estabilidade, oportunidades econômicas e segurança jurídica. Fatores como mercado de trabalho aquecido, políticas de atração de talentos, investimento estrangeiro e diversidade de vistos qualificam o país como referência migratória global.
Tempo de leitura: 2 minutos
destino migratório dos brasileiros
Fonte: Shutterstock

Pesquisa revela pessimismo crescente com o futuro do Brasil e transforma a imigração em projeto racional de vida

WASHINGTON, DC – DEZEMBRO 26, 2025 – O desejo de deixar o Brasil deixou de ser um sentimento difuso para se transformar em um dado concreto. Segundo o mais recente levantamento do Observatório Febraban, 40% dos brasileiros afirmam ter interesse em emigrar. O número, por si só, já seria expressivo. Mas ganha ainda mais relevância quando analisado em conjunto com os destinos escolhidos e o perfil etário dos entrevistados.

Entre os brasileiros que cogitam viver no exterior, os Estados Unidos aparecem como o principal destino, citados por 37% dos respondentes. Trata-se de uma liderança clara, que coloca o país à frente de outras opções tradicionais, como Europa e Canadá. O dado revela não apenas preferência geográfica, mas uma leitura estratégica do cenário internacional feita pela população brasileira.

A pesquisa mostra ainda que o desejo de emigrar é mais intenso entre os mais jovens. Na Geração Y, metade dos entrevistados manifesta intenção de morar fora do Brasil. Na Geração Z, o índice chega a 44%. O recorte etário sugere que o movimento não está associado apenas à frustração pontual, mas à percepção de que o país oferece poucas perspectivas de estabilidade, crescimento e previsibilidade no longo prazo.

Para o advogado Vinicius Bicalho, fundador e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., os números refletem um diagnóstico social mais profundo. Segundo Bicalho, o brasileiro passou a encarar a imigração não como aventura ou exceção, mas como um projeto racional de vida. Muitos não querem simplesmente sair do Brasil, mas buscam sistemas que funcionem, instituições previsíveis e ambientes onde o esforço individual tenha retorno proporcional.

Nesse contexto, os Estados Unidos seguem ocupando um lugar simbólico central. Mesmo com um sistema migratório rigoroso, burocrático e cada vez mais fiscalizado, o país continua sendo visto como território de oportunidades estruturadas. A ideia de meritocracia, aliada à força da economia americana e à diversidade de caminhos legais de imigração, mantém o país no topo das preferências.

Bicalho alerta, no entanto, para um descompasso recorrente entre desejo e realidade. Há um número crescente de brasileiros que subestimam a complexidade do sistema migratório americano e superestimam a possibilidade de regularização improvisada. Sem planejamento jurídico adequado, o sonho pode rapidamente se transformar em frustração, ilegalidade ou vulnerabilidade.

Outro ponto relevante do levantamento é a dispersão dos destinos após os Estados Unidos. Canadá, países da Europa Ocidental e algumas nações asiáticas aparecem como alternativas, indicando que o brasileiro está cada vez mais atento a indicadores como qualidade de vida, segurança jurídica, políticas públicas e estabilidade institucional. O fator econômico isolado já não explica sozinho as escolhas migratórias.

A leitura do levantamento do Observatório Febraban aponta para uma mudança estrutural no imaginário nacional. O Brasil deixa de ser percebido como país de oportunidades ascendentes e passa a ser visto, por uma parcela significativa da população, como um território de estagnação e incerteza. A imigração surge, assim, como estratégia de reorganização de futuro, não como rejeição a outros países.Bicalho conclui que o debate sobre imigração precisa ir além da retórica política ou do discurso ideológico. Para ele, os dados revelam um fenômeno social consistente, que exige resposta institucional, econômica e jurídica. Enquanto isso não ocorre, os Estados Unidos seguem ocupando, para milhões de brasileiros, o papel de principal horizonte possível fora das fronteiras nacionais.

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