Medida busca reduzir fraudes e descumprimento de prazos de permanência
WASHINGTON, DC (JANEIRO 9, 2026) – A administração Trump iniciou o ano ampliando de forma substancial a lista de países cujos cidadãos precisam depositar cauções de até 15 mil dólares para solicitar vistos temporários aos Estados Unidos.
A partir de janeiro, a regra passou a valer para treze países no total, quase triplicando o alcance da política em relação ao ano anterior.
A atualização inclui Botsuana, Butão, República Centro-Africana, Guiné, Guiné-Bissau, Namíbia e Turcomenistão. Essas adições, válidas desde 1º de janeiro, se somam a Mauritânia, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Gâmbia, Malawi e Zâmbia, que já haviam sido incorporados no segundo semestre de 2025.
A ampliação cria impactos econômicos e diplomáticos imediatos, sobretudo em países de baixa renda.
De acordo com o advogado licenciado nos Estados Unidos, Brasil e Portugal e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinicius Bicalho, o aumento da lista “muda a escala da política e transforma o que era pontual em uma estratégia de maior abrangência regional”.
Após a primeira referência, Bicalho destaca que a caução é reembolsável apenas ao final da estadia regular e não garante a aprovação do visto, mesmo após o pagamento.
A exigência também se soma a outras camadas de rigidez implementadas nos últimos meses, como entrevistas presenciais obrigatórias, histórico detalhado de viagens e monitoramento de redes sociais. Para Bicalho, essas medidas “reduzem intercâmbios acadêmicos, limitam oportunidades profissionais e criam um ambiente de incerteza que desestimula a mobilidade legal”.
A capacidade econômica dos países afetados agrava ainda mais o impacto, já que o valor da caução pode equivaler a anos de renda média local, tornando o processo inviável para a maioria da população. Isso reduz o fluxo migratório qualificado e afeta relações bilaterais e projetos de cooperação.
A expectativa é que a expansão gere reações diplomáticas e questionamentos de organizações internacionais ao longo das próximas semanas. A publicação discreta pelo Departamento de Estado indica que novas ampliações podem ocorrer em 2026, reforçando a necessidade de planejamento jurídico criterioso para solicitantes estrangeiros.
