Mesmo em meio a incertezas nacionais, alguns estados mantêm crescimento sólido, atraindo investimentos, empregos e imigrantes qualificados
WASHINGTON, DC (MARÇO 18, 2026) – Em um cenário marcado por inflação persistente, juros elevados e instabilidade geopolítica, a narrativa de crise nos Estados Unidos ganhou força. Ainda assim, os dados mais recentes mostram que o pessimismo não é homogêneo. Há estados operando com crescimento acima da média nacional, sustentando emprego, renda e fluxo migratório positivo.
O Texas é um dos principais exemplos. O estado adicionou mais de 470 mil novos residentes entre 2023 e 2024, segundo dados do U.S. Census Bureau, liderando o crescimento populacional no país. No mesmo período, criou mais de 400 mil empregos líquidos, com destaque para os setores de energia, tecnologia e manufatura. O PIB estadual cresceu cerca de 4,7%, acima da média nacional, consolidando sua posição como a segunda maior economia dos Estados Unidos.
A Flórida segue trajetória semelhante. O estado ultrapassou a marca de 23 milhões de habitantes e registrou crescimento populacional superior a 1,6% ao ano. Em 2025, gerou aproximadamente 300 mil novos postos de trabalho, impulsionados principalmente pelos setores de turismo, construção e serviços financeiros. Além disso, mais de 1.200 pessoas por dia continuam se mudando para o estado, reforçando sua atratividade econômica. O PIB da Flórida já se aproxima de US$ 1,7 trilhão, posicionando o estado entre as maiores economias do mundo se fosse um país.
A Carolina do Norte tem apresentado crescimento consistente e sustentável. O estado registrou expansão do PIB em torno de 3,8%, com forte avanço no setor tecnológico. O Research Triangle concentra mais de 300 empresas de tecnologia e biotecnologia, além de universidades de referência. O desemprego permanece abaixo de 4%, indicando equilíbrio entre oferta e demanda de mão de obra.
Tennessee e Utah também chamam atenção. Tennessee registrou crescimento econômico próximo de 3,5%, com expansão logística e industrial, enquanto Utah mantém uma das menores taxas de desemprego do país, em torno de 2,8%. Além disso, o estado figura entre os líderes em crescimento de renda per capita e criação de startups, consolidando Salt Lake City como um novo polo de inovação.
Segundo o advogado licenciado nos Estados Unidos, Brasil e Portugal e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinicius Bicalho, esses números evidenciam um reposicionamento interno da economia americana. “Os dados mostram que não há uma crise uniforme. Existe uma migração de capital e talentos para estados mais eficientes do ponto de vista fiscal e regulatório. Isso abre oportunidades reais para imigrantes qualificados e investidores atentos a esse novo mapa econômico”, afirma Bicalho.
Esse redesenho econômico tem impacto direto nas estratégias migratórias. Estados em expansão demandam profissionais especializados e incentivam investimentos estrangeiros, especialmente por meio de vistos como EB-2, EB-3 e E-2. Ao mesmo tempo, oferecem ambiente mais previsível para quem busca empreender ou expandir operações.
A leitura que se impõe não é de retração, mas de transformação. Enquanto parte do país desacelera, outra parte acelera com intensidade. E é justamente nesse contraste que surgem as melhores oportunidades.
Para quem observa os Estados Unidos com visão estratégica, a pergunta correta não é onde está a crise, mas onde estão os dados que mostram crescimento. É ali que o futuro já começou.
