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Escassez de médicos nos EUA leva congresso a discutir uso de Green Cards não utilizados para profissionais da saúde

A escassez de médicos nos Estados Unidos reacendeu no Congresso o debate sobre a utilização de Green Cards não utilizados para profissionais da saúde. A proposta busca direcionar números já autorizados pela legislação migratória para suprir déficits críticos em hospitais e regiões carentes, especialmente em áreas rurais.
Tempo de leitura: 2 minutos
Green Cards para profissionais da saúde
Fonte: Shutterstock

Proposta bipartidária busca reduzir o backlog migratório qualificado e mitigar o déficit estrutural de médicos nos Estados Unidos

WASHINGTON, DC (FEVEREIRO 23, 2026) – A escassez estrutural de médicos e profissionais da saúde nos Estados Unidos voltou ao centro da agenda legislativa em Washington com a proposta de reutilização de aproximadamente 40 mil green cards não utilizados destinados a médicos e enfermeiros estrangeiros. O debate ocorre em um cenário crítico, no qual projeções apontam um déficit potencial de até 86 mil médicos até 2036, com impacto direto no acesso a atendimento especializado, sobretudo em áreas rurais e comunidades com menor cobertura assistencial.

A proposta legislativa prevê a recaptura de vistos imigratórios autorizados entre 1992 e 2024 que permaneceram retidos no sistema migratório. Desse total, cerca de 15 mil seriam destinados a médicos e 25 mil a enfermeiros, sem ampliação formal das cotas migratórias, mas sim a reutilização técnica de vistos previamente aprovados pelo Congresso e não aproveitados administrativamente.

Sob a ótica jurídico-migratória, a medida também busca mitigar os efeitos dos limites por país de origem, um dos principais fatores que mantêm profissionais altamente qualificados presos em longas filas para residência permanente, mesmo já exercendo funções essenciais no sistema de saúde americano por meio de vistos temporários. Em diversas regiões dos Estados Unidos, médicos estrangeiros são a única fonte de determinadas especialidades médicas críticas.

O projeto ainda estabelece salvaguardas regulatórias relevantes, exigindo que empregadores comprovem que a contratação de profissionais estrangeiros não resultará na substituição de trabalhadores americanos, além do cumprimento rigoroso de licenciamento profissional, verificações de segurança nacional, antecedentes criminais e exigências formais do sistema imigratório.

Segundo o advogado licenciado nos Estados Unidos, Brasil e Portugal e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinicius Bicalho, “a reutilização de green cards não utilizados para profissionais da saúde representa uma resposta técnica a um gargalo histórico do sistema imigratório americano, alinhando necessidade econômica, segurança regulatória e eficiência institucional”.

Bicalho afirma que o impacto vai além da política migratória tradicional. “Trata-se de imigração altamente qualificada já inserida no mercado de trabalho americano. Manter esses profissionais em backlog prolongado gera insegurança jurídica, pressiona hospitais e compromete a estabilidade do próprio sistema de saúde”, explica Bicalho.

Na leitura institucional em Washington, a proposta sinaliza uma inflexão pragmática no debate migratório, deslocando o foco do volume de imigração para a qualificação profissional e para as demandas estruturais do país. Em um contexto de envelhecimento populacional, aumento da demanda hospitalar e pressão sobre a força de trabalho médica, a imigração qualificada passa a ser tratada como instrumento estratégico de estabilidade sanitária, eficiência econômica e continuidade operacional do sistema de saúde dos Estados Unidos.

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