Queda nas novas solicitações indica mercado resiliente, enquanto aumento dos benefícios continuados sugere maior tempo de recolocação
WASHINGTON, DC (FEVEREIRO 12, 2026) – O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que os novos pedidos de auxílio-desemprego caíram para 227 mil na semana encerrada em 7 de fevereiro, uma redução de 5 mil solicitações em relação ao período anterior. O resultado ficou levemente acima das projeções de analistas, que estimavam 226 mil pedidos, mantendo o indicador dentro de uma faixa historicamente considerada baixa.
Os dados da semana anterior foram revisados de 231 mil para 232 mil, reforçando a leitura de que o nível de demissões permanece controlado, mesmo em um ambiente de juros elevados e desaceleração econômica gradual. Na prática, pedidos iniciais abaixo de 250 mil ainda são interpretados por analistas em Washington como sinal de resiliência do mercado de trabalho americano.
Em contraste com a queda nas novas solicitações, os pedidos continuados, que medem o número de pessoas que permanecem recebendo o benefício, aumentaram em 21 mil, totalizando 1,862 milhão. Esse indicador é considerado mais sensível para a análise econômica, pois revela o tempo de permanência no desemprego e a dinâmica real de recolocação profissional.
Para trabalhadores estrangeiros e imigrantes em processo de ajuste de status, esse tipo de oscilação tem impacto direto na dinâmica de contratações, especialmente em setores que tradicionalmente absorvem mão de obra internacional, como serviços, hospitalidade e construção. A estabilidade nas demissões não significa, necessariamente, facilidade na reinserção no mercado.
O advogado licenciado nos Estados Unidos, Brasil e Portugal e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., Vinicius Bicalho, explica que a leitura jurídica e econômica dos dados deve ir além do número bruto semanal. “A queda nos pedidos iniciais demonstra que não há um movimento massivo de cortes de empregos. Contudo, o aumento dos pedidos continuados revela um mercado mais seletivo, o que impacta diretamente trabalhadores estrangeiros, especialmente aqueles em transição de status imigratório”, afirma Bicalho.
De acordo com Bicalho, a manutenção de um mercado de trabalho resiliente influencia decisões migratórias e processos baseados em emprego, incluindo vistos de trabalho e ajustes de status. “Quando o mercado permanece aquecido, há maior previsibilidade para empregadores patrocinadores. Porém, sinais de desaceleração na recolocação podem levar empresas a adotar critérios mais rigorosos na contratação internacional”, conclui Bicalho.
O cenário atual reforça a percepção de que a economia dos Estados Unidos segue em desaceleração gradual, porém sem deterioração abrupta do emprego, mantendo o mercado de trabalho como um dos pilares de estabilidade econômica observados ao longo de 2026.
