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Questionamentos sobre a suprema corte brasileira reforçam busca por segurança jurídica nos Estados Unidos

Questionamentos envolvendo instituições brasileiras ampliam o debate sobre previsibilidade e segurança jurídica para empresários e investidores. Nesse cenário, os Estados Unidos ganham relevância como destino para a internacionalização de patrimônio, negócios e estruturas familiares, em uma estratégia de diversificação e mitigação de riscos.

quinta-feira, 03 set 2026
Fernando Hessel
10:42
Tempo de leitura: 2 minutos
segurança jurídica nos Estados Unidos

Empresários e investidores ampliam interesse por internacionalização diante do aumento da percepção de risco institucional e da busca por ambientes mais previsíveis para seus negócios

WASHINGTON, D.C., 03 DE SETEMBRO DE 2026 – As recentes denúncias e questionamentos envolvendo integrantes da mais alta Corte brasileira reacenderam discussões sobre transparência institucional, independência entre os Poderes e confiança nas instituições. Embora o desfecho dos fatos ainda dependa das instâncias competentes, especialistas observam que episódios dessa natureza costumam produzir reflexos que vão além do ambiente político, alcançando diretamente a percepção de risco dos investidores.

Em qualquer economia, a previsibilidade das regras é considerada um dos principais fatores para atração de investimentos. Quando surgem dúvidas sobre a estabilidade institucional ou sobre a capacidade das instituições de atuarem de forma independente e equilibrada, investidores tendem a adotar uma postura mais cautelosa, especialmente em projetos de longo prazo.

O tema ganha relevância diante dos indicadores internacionais. Segundo o World Justice Project (WJP), organização que monitora o Estado de Direito em 143 países, o Brasil ocupa atualmente a 78ª posição no ranking global de segurança jurídica e fortalecimento institucional. Os Estados Unidos aparecem na 27ª colocação, enquanto Canadá, Reino Unido e Alemanha figuram entre as nações mais bem avaliadas do mundo.

Para Vinícius Bicalho, advogado e CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., existe um limite para a exposição ao risco institucional.

“Todo empresário convive diariamente com riscos de mercado, concorrência, inflação ou mudanças regulatórias. O que estamos observando nos últimos anos é uma preocupação crescente com outro tipo de risco: aquele relacionado à previsibilidade das instituições. Muitos investidores entendem que o Brasil vem ultrapassando um limite que gera desconforto para decisões de longo prazo.”

Segundo Bicalho, a mudança pode ser percebida diretamente no perfil dos brasileiros que procuram orientação para imigração empresarial, proteção patrimonial e expansão internacional.

“Há quinze anos, a principal justificativa apresentada por muitos clientes estava ligada à segurança pública, qualidade de vida e educação dos filhos. Hoje existe uma mudança significativa. O empresário continua preocupado com sua família, mas passou a demonstrar uma preocupação ainda maior com estabilidade institucional, previsibilidade jurídica e proteção dos seus ativos.”

De acordo com ele, a maioria desses investidores não pretende abandonar o Brasil.

“O que vemos é um movimento de diversificação. O empresário continua operando no mercado brasileiro, mas busca construir uma segunda base patrimonial, empresarial ou familiar em um ambiente considerado mais previsível. Trata-se de uma estratégia de proteção e não necessariamente de substituição.”

Bicalho ressalta que os Estados Unidos também enfrentam desafios políticos e institucionais. No entanto, a tradição de respeito aos contratos, a previsibilidade regulatória e os mecanismos de fiscalização continuam sendo fatores que sustentam a confiança dos investidores internacionais.

“Investidores não procuram perfeição. Procuram previsibilidade. Quando surgem questionamentos envolvendo instituições fundamentais de um país, a tendência natural é buscar alternativas capazes de oferecer maior segurança para o planejamento de longo prazo. É exatamente esse movimento que temos observado com intensidade crescente.”

Para especialistas em mobilidade global e planejamento patrimonial, a internacionalização deixou de ser apenas uma ferramenta de expansão e passou a representar uma estratégia de mitigação de riscos. Nesse contexto, os Estados Unidos continuam figurando entre os destinos mais procurados por empresários brasileiros que buscam proteger patrimônio, ampliar oportunidades e operar em um ambiente institucional percebido como mais estável.