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EB-2 NIW: USCIS aperta análise e projeto de negócio passa a ter peso decisivo

O USCIS está reforçando a análise dos pedidos de EB-2 NIW, especialmente em projetos voltados à criação ou expansão de empresas. Além da experiência profissional, o candidato precisa demonstrar que sua proposta possui mérito substancial, importância nacional, viabilidade e potencial de impacto nos Estados Unidos.

segunda-feira, 27 jul 2026
Fernando Hessel
17:48
Tempo de leitura: 2 minutos
EB-2 NIW

Experiência profissional no Brasil já não basta. Peticionário precisará demonstrar, com dados consistentes, por que sua proposta interessa aos Estados Unidos.

WASHINGTON, D.C., 26 de julho de 2026 – O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, o USCIS, está adotando uma análise mais rigorosa dos pedidos de residência permanente pela categoria EB-2 com National Interest Waiver, especialmente quando o projeto envolve a criação ou expansão de uma empresa.

O currículo continua importante, mas os olhos dos oficiais estarão ainda mais atentos à proposta apresentada. Ser reconhecido no Brasil, possuir formação avançada ou demonstrar capacidade excepcional não garante, por si só, que o empreendimento terá importância nacional para os Estados Unidos.

Na prática, o USCIS quer compreender o que o profissional pretende fazer no país, qual problema será enfrentado, quem será beneficiado e se o projeto tem potencial para produzir resultados que ultrapassem o interesse pessoal do próprio peticionário.

“A análise será cada vez menos concentrada apenas na trajetória profissional construída no Brasil e mais voltada para o impacto futuro da proposta nos Estados Unidos. O candidato pode ser uma referência em seu mercado, mas precisará provar que o negócio apresentado é viável, necessário e relevante para a economia americana”, explica o advogado de imigração Vinícius Bicalho.

A orientação do USCIS, consolidada em janeiro de 2025 e refletida nas decisões mais recentes, determina que o projeto tenha mérito substancial e importância nacional. Também exige provas de que o candidato está bem posicionado para executá-lo. Isso significa demonstrar experiência, recursos, conhecimento do mercado americano, possíveis clientes, parceiros, financiamento e capacidade operacional.

Um plano de negócios genérico, sustentado apenas por projeções otimistas de faturamento e empregos, pode não ser suficiente. O USCIS analisa se os números são realistas, se existe demanda comprovada e se o impacto proposto vai além de uma empresa local.

Os dados ajudam a explicar essa cautela. Somente em junho de 2026, os Estados Unidos receberam 531.423 pedidos relacionados à criação de negócios. Entretanto, o Census Bureau projeta que apenas 29.741 dessas solicitações resultarão, dentro de quatro trimestres, em empresas com obrigações de folha de pagamento.

A sobrevivência também representa um desafio. Dados oficiais da Small Business Administration mostram que, historicamente, cerca de 67,7% dos novos estabelecimentos empregadores permanecem ativos por pelo menos dois anos. Após dez anos, a proporção é muito menor. Entre as empresas abertas em 2013, apenas 34,7% continuavam funcionando em 2023, segundo o Bureau of Labor Statistics.

Por isso, o processo deverá apresentar mais do que a intenção de abrir uma empresa. Será necessário explicar por que aquele negócio faz sentido nos Estados Unidos, qual sua vantagem competitiva e como poderá contribuir para setores estratégicos, gerar empregos qualificados, ampliar a produtividade, estimular a inovação ou atender a uma necessidade relevante.

O EB-2 NIW não se transformou em um visto de investimento. Não existe um valor mínimo obrigatório para a abertura do negócio. Mas a proposta precisa ser concreta, coerente e sustentada por evidências independentes.

A mensagem é direta: um currículo respeitado pode abrir a porta da análise, mas será a qualidade do projeto americano que poderá determinar se o green card será aprovado.